Os brasilienses terão, a partir de hoje e por todas as terças-feiras do mês de março, a oportunidade de conhecer grandes nomes da nossa música popular "descobertos" tardiamente. A programação, inédita, reunirá nomes da moderna música pop brasileira junto aos "novatos" que chegam ao mercado com muita experiência de vida. Trata-se do projeto Da Idade do Mundo, com estréia hoje, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), em duas sessões: às 13h e às 21h. A inauguração fica a cargo de cantora, compositora e percussionista Mart'nália (filha de Martinho da Vila) e Maria das Dores dos Santos Conceição, a sambista Vó Maria, de 92 anos.
Quem for ao CCBB assistirá a um show descontraído, um encontro de família. "Estou feliz", exulta Mart'nália. "Farei um show no colo de minha avó. Tem coisa melhor? Estou curtindo muito", admite a cantora, que ainda não sabe qual será a ordem de entrada no show. "Acho que ela começa cantando e depois me chama". A sambista, que está envolvida na mixagem do DVD de Pé de Meu Samba – ao vivo, revelou que em abril vai a Nova York (EUA) divulgar o trabalho, que contou com a presença de Paulinho Moska, Zélia Duncan, Djavan e Martinho da Vila, claro.
Com relação ao show de hoje, Mart´nália disse que fará uma homenagem a Clara Nunes, interpretando Canto de Areia e, de seu repertório, o público ouvirá Pé do Meu Samba, música composta por Caetano Veloso especialmente para ela, e que batizou seu último trabalho, produzido em 2002 por Celso Fonseca.
Já Vó Maria começou sua vida artística no ano passado, quando, incentivada pelas netas, passou a freqüentar as rodas de samba do Museu da Imagem e do Som, no Rio de Janeiro. Apresentando sambas e "partidinhos" (samba de partido alto) antológicos – alguns inéditos – acabou recebendo um convite irrecusável: gravar seu primeiro CD, Maxixe Não é Samba, editado pelo Instituto Ricardo Cravo Albin e produzido por Marília Barboza.
Embora estreante no palco, o samba é um caso de amor antigo para Maria das Dores. Casada por 15 anos com Donga, compositor do clássico Pelo Telefone, ela viu passar por sua casa praticamente todos os grandes compositores e intérpretes da música brasileira das últimas décadas.
Além de histórias para contar, dezenas de músicas ficaram na (excelente) memória da nonagenária. "Muitos estudiosos procuram a vovó porque ela se lembra de fatos e letras que ficaram perdidos por anos", diz a neta Sonia Regina, hoje empresária de Vó Maria. A cantora resgatou, por exemplo, a canção Meu Amor, Vou lhe Deixar, encostada desde sua primeira – e única – gravação, em 1929. Na nova versão, a sambista Beth Carvalho é quem acompanha a Vó. DNo CD, participam "netos" e amigos como Martinho da Vila, Xangô da Mangueira e Nelson Sargento.
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